sábado, 28 de maio de 2011

O modelo tecnicista de educação

Segundo Demerval Saviani:

"A partir do pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios de racionalidade, eficiência e produtividade, a pedagogia tecnicista advogou a reordenação do processo educativo de maneira a torná-lo objetivo e operacional. De modo semelhante ao que ocorreu no trabalho fabril, pretendeu-se a objetivação do trabalho pedagógico. Buscou-se, então, com base em justificativas teóricas derivadas da corrente filosófico-psicológica do behaviorismo, planejar a educação de modo a dotá-la de uma organização racional capaz de minimizar as interferências subjetivas que pudessem pôr em risco sua eficiência. Se na pedagogia tradicional a iniciativa cabia ao professor e se na pedagogia nova a iniciativa deslocou-se para o aluno, na pedagogia tecnicista o elemento principal passou a ser a organização racional dos meios, ocupando o professor e o aluno posição secundária. A organização do processo converteu-se na garantia da eficiência, compensando e corrigindo as deficiências do professor e maximizando os efeitos de sua intervenção".
A pedagogia tecnicista surge nos Estados Unidos na segunda metade do século XX e chega ao Brasil entre as décadas de 60 e 70, inspirada nas teorias behavioristas da aprendizagem, onde dever-se-ia moldar a sociedade à demanda industrial e tecnológica da época.

Esta Pedagogia encontrava-se de acordo com o modelo capitalista, fazendo parte de sua engrenagem e com o objetivo de, dentro deste sistema, formar indivíduos “competentes” para o mercado de trabalho.
O professor não era valorizado, assim como o aluno também não era, mas sim a tecnologia, a indústria, o capital. O professor torna-se o especialista, responsável por "passar" ao aluno verdades científicas incontestáveis. Ou seja, a escola não trabalhava a reflexão e criticidade nos alunos.
Esta proposta foi utilizada no período do regime militar do país, onde era necessário formar mão-de-obra para o mercado de trabalho. Aqui temos o formato behaviorista de ensino, onde eram utilizados estímulos, reforços negativos e positivos para se obter a resposta desejada, moldando o comportamento do sujeito, de forma a controlar a conduta individual. Era ensinado apenas o necessário para que os indivíduos pudessem atuar de maneira prática em seus trabalhos.

Os conteúdos estavam embasados na objetividade do conhecimento e os métodos eram programados passo-a-passo, com uso de livros didáticos, principalmente.

O diálogo entre professor e alunos era apenas técnica, com o intuito de transmitir o conhecimento de maneira eficaz.

A avaliação estava pautada na verificação formal, analisando a realização dos objetivos propostos.

Este tipo de pedagogia ainda é vista nos dias de hoje em muitos cursos, onde nota-se forte utilização  de manuais didáticos, permanecendo o caráter instrumental e técnico.

Abaixo, um trecho do filme "Tempos Modernos", de Charlie Chaplin.

27 comentários:

  1. É impressionante verificar que ainda hoje existem escolas com métodos tecnicistas, mas o pior de tudo é saber que ainda hoje há professores que se submetem a esse método, não por princípios mas por comodismos...

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    1. Mais que ajudou a somar os princípios hoje estabelecidos..

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    3. O problema não está no professor, é fácil culpar alguém. Seguir a linha da sociedade assim como ela e exigir que os outros mudem talvez seja um tipo hipócrita de estabelecer críticas ao modelo de educação. Esse modelo é o que a sociedade exige, que a sociedade fabrica. Quem dera nós professores se fossemos capazes de mudar a educação.

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    4. Nós professores podemos e devemos mudar a educação, somos os únicos capacitados pra isso. Afinal, sem o educador não existe a sociedade, o educador forma desde o presidente ao traficante, a mudança vem de baixo,da formação que você oferece quando entra numa sala de aula, a mudança começa aqui no chão da sala de aula pois nós formamos o futuro, o futuro é a nação que passa por nossas salas diariamente. A culpa não é de nós professores, é da nossa classe e do nosso pensamento de se acomodar com tal circunstancia que vivemos sem visar um amanhã melhor por achar que não podemos fazer nada.

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    5. É necessário a coladoração de ambas as partes, se aluno e sua família não deseja o professor pouco pode fazer , hoje existem direitos para os alunos e sua família, mas os deveres não pode ser exigidos pois eles direm que atacam a dignidade do aluno. Um professor se for ameaçado por um aluno de seus 15 ou 16 anos nada acontece com ele pois o estado acha que ele é uma vítima da sociedade mas se um professor falar alto com um aluno ele é chamado a atenção e muitos diretores até não querem ele mais na escola.O padrão tecnicismo tem seus defeitos mas ninguém pode negar que foi uma educação que formou muitos cidadãos de bem e continua formando

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    6. É necessário a coladoração de ambas as partes, se aluno e sua família não deseja o professor pouco pode fazer , hoje existem direitos para os alunos e sua família, mas os deveres não pode ser exigidos pois eles direm que atacam a dignidade do aluno. Um professor se for ameaçado por um aluno de seus 15 ou 16 anos nada acontece com ele pois o estado acha que ele é uma vítima da sociedade mas se um professor falar alto com um aluno ele é chamado a atenção e muitos diretores até não querem ele mais na escola.O padrão tecnicismo tem seus defeitos mas ninguém pode negar que foi uma educação que formou muitos cidadãos de bem e continua formando

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  2. Ainda, bem que vivemos em uma outra era. Mas, conforme já fo mencionado ainda assim, carregamos conosco os resquício de uma era ditadora, mecânica..

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  3. Questiono até onde o tecnicismo é ruim? E o que aproveitável pode ser. Não estou fazendo apologia, porém estou medindo os pós e contra. Achei fantástico essa parte "Os conteúdos estavam embasados na objetividade do conhecimento e os métodos eram programados passo-a-passo, com uso de livros didáticos, principalmente". Pois vejo que a escola está perdida, e os professores também... Falta objetividade, motivação para o futuro, sem falar da falta de prestígio dos mesmos. Porém o quer era ruim é excesso capitalista, e falta de criticidade e reflexão.

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    1. gostei da sua resposta ,parabens

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    2. Nathan, sua análise ao tecnicismo foi bem crítica. Como você mesmo menciona, são os prós e os contras. Parabéns!!

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    3. Só não entendi porque mudaram o meu nome para Unknown.

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    4. Motivação nós temos, não temos liberdade, isso sim, pois enquanto estamos estudando no curso de pedagogia, trassamos metas, objetivos, que são engolidos pelo mec. Isso é o que torna o tecnicismo ruim, claro não de todo, nenhuma forma pedagogica foi completamente ruim, mas tirou a liberdade e o direito de ideias, de pensamento, com base que o homem não tinha o direito de pensar e desenvolver, quem nascia pobre nunca chegaria ao topo, a ideia era essa, e só servia para enriquecer o capital, da alta burguesia.

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    5. Atualmente nós usamos um pouco de cada das teorias pedagógicas por que a realidade social exige grande esforço dos professores para adaptar as aulas à aprendizagem do aluno. Caso contrário seríamos ditadores e não professores, mediadores e incentivadores da educação.

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    6. "Trassamos" é vindo de traço, então "Traçamos". Pensa um aluno ler isso? Que teoria utilizaríamos para explicar?

      Segundamente, concordo que hoje há um combinado de teorias pedagógicas e que todas tem seu valor em algum poto do aprendizado.

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    7. Preciso saber quais são os pontos positivos do tecnicismo

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  4. Parabéns pelo site. A leitura encontra-se com uma linguagem simples, explicativa e de fácil compreensão.

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  6. muito bom de se entender, com poucas palavras, em resumo entendi o que nos livros demoramos meses para compreender.

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  7. Infelizmente o mundo capitalista exige da sociedade resultados práticos, com o mínimo de prejuízo possível. E o ensino tecnicista tenta podar a criticidade que as matérias de humanas como História, Geografia e Filosofia possuem. O ser humano precisa deixar de ser uma máquina.

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    1. O que dizer da reforma do ensino médio onde a História e a Geografia deixam de ser obrigatórias?

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  8. Parabéns ao desenvolvedor do site, esta me ajudando muito com a faculdade.

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  9. Por favor, muito cuidado ao associar a pedagogia tecnicista com o behaviorismo (você estudou a filosofia behaviorista antes de falar isso?). Primeiro ponto: essa filosofia não reduz a importância das emoções e sentimentos. Segundo ponto (talvez o mais importante): professor e aluno NAO FICAM em segundo plano, de maneira nenhuma. O behavirismo é a filosofia que embasa as práticas da análise do comportamento, que aplicada a educação procura ferramentas de tornar os métodos de ensino mais eficazes no sentido de que o aluno aprenda, levando em conta as necessidades individuais de cada um. O professor é peça fundamental nesse processo, figurando de modo ativo para planejar e estruturar tecnologias de ensino que possibilitem um ensino mais eficaz no sentido que seja algo que realmente ajude o aluno a aprender. Caso tenha dúvidas, leia 'Tecnologia do Ensino' de Skinner (ah, o termo tecnologia usado no título do livro refere-se a práticas que possam melhorar a educação). Por favor, cuidado com o que escreve.

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    1. Parabéns pela sua colocação, falou e disse com propriedade! No Brasil vivemos em cima de modismos pedagógicos comandados por teóricos que nunca frequentaram o chão de sala de aula. Se o professor tem liberdade para ensinar deve então ter liberdade de planejar. Neste ponto disse bem Piaget " a aprendizagem é um processo interno e continuo".

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